
Texto: Ana Virgínia Vilalva e Priscila Machado/ Secom PMS
Professores e coordenadores pedagógicos da rede municipal de ensino tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o Samba Junino, Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador desde fevereiro de 2018. A manifestação da cultura popular soteropolitana, com matriz africana, foi tema de uma formação do projeto Juntaê, na manhã desta terça-feira (18).
O evento, promovido pela Jequitibá Assessoria, reuniu professores, coordenadores pedagógicos, músicos do Samba Junino e representantes da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufba.
A formação foi conduzida pelo professor Ubiraci Carlucio, o professor Bira, e pela historiadora e pedagoga Magnair Barbosa, idealizadora do projeto. A abertura do evento contou com uma apresentação do grupo Meu Sambinha, formado por alunos do projeto Meu Tambor, mantido pelo grupo Meu Samba, no Engenho Velho de Brotas.
“Estamos conversando com os professores sobre as múltiplas possibilidades de utilização do quebra-cabeça, um recurso lúdico-paradidático, desenvolvido na fase inicial do projeto, que retrata o samba junino por meio da ilustração de um festival na Praça dos Artistas, no Engenho Velho de Brotas”, contou.
Para Magnair, o projeto é motivo de muita felicidade: “Eu sei que os estudantes vão se identificar e perceber que elementos que estão próximos deles, a exemplo das festas populares, manifestações que eles fazem nos seus próprios bairros, também são patrimônios, independentemente de reconhecimento pelo poder público. Então eles vão se sentir protagonistas do que fazem enquanto cultura, do que a sua família e vizinhos fazem enquanto cultura. A proposta é que eles vejam o patrimônio mais próximo da realidade deles.”
Presente na formação, Aline Menezes, coordenadora pedagógica do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Dona Maria Emilia Gadelha Viana, disse que pretende pesquisar mais sobre a manifestação para inserir no projeto que já desenvolve em sua unidade de ensino.
“Nós temos um projeto lá no Cmei que se chama Minha Bahia é Massa: Salvador Espaço de Cultura, Identidade e Diversidade, com o qual trabalhamos o antirracismo e o pertencimento, fazendo trabalho com artistas negros e baianos. Essa pode ser uma oportunidade de trabalhar mais um tema dentro do projeto, pois o Samba Junino insere as crianças na sua identidade, pertencimento e na produção cultural de Salvador.”
O CMEI Dona Maria Emilia Gadelha Viana atende aproximadamente 400 crianças do Grupo 2 ao 2º ano do Ensino Fundamental, em Rio Sena, no Subúrbio Ferroviário.
Juntaê – O projeto Juntaê foi contemplado com o Edital Samba Junino Ano VIII, da Fundação Gregório de Mattos (FGM).
“O Juntaê é a possibilidade de promover um encontro entre a cultura e a educação. A partir de um jogo, é possível desenvolver práticas pedagógicas em sala de aula e um trabalho voltado para o conhecimento dos patrimônios da nossa cidade, entendendo que a implementação da Lei Nº 10.639, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, começa a partir do nosso território”, destacou o diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais, Vagner Rocha.
Na fase inicial do projeto, foi desenvolvido um recurso lúdico-paradidático que retrata o samba junino por meio da ilustração de um festival na Praça dos Artistas, no Engenho Velho de Brotas. O quebra-cabeça, composto por 48 peças, destaca elementos marcantes do território, como a tradicional casa da família Bafafé, na Rua Manoel Faustino, uma das precursoras da manifestação. Ela surgiu na periferia de Salvador, por volta de 1970, como uma fusão das tradições dos terreiros de candomblé e das festas dos santos católicos.
A representação do território foi construída com a contribuição das Mestras Jacira Bafafé e Lita Bafafé, referências do samba junino e consultoras do projeto, que colaboraram para a construção da imagem retratada no quebra-cabeça.
Além do jogo físico, o Juntaê conta com material digital acessível, com recursos em Libras e audiodescrição, vídeo animado e a música “Presença Junina”, do grupo Samba Leva Eu, ampliando as possibilidades de interação e proporcionando uma experiência visual e auditiva sobre o universo retratado.
Na fase inicial do projeto, 500 kits foram distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas públicas e comunitárias, espaços de leitura e grupos de samba junino de Salvador.
Preservação – Na segunda-feira (17), foi comemorado o Dia Nacional do Patrimônio Cultural, em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. (Iphan).
Em celebração à data, a FGM está desenvolvendo algumas ações, a exemplo da VII Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, que ocorre de 20 a 22 e dos editais que ajudam a preservar o patrimônio material e imaterial da capital baiana.
Acesse a galeria de fotos: https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/professores-e-coordenadores-da-rede-municipal-conhecem-mais-sobre-o-samba-junino/ .
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