
O ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), aparece citado em diferentes apurações que ganharam novos desdobramentos, entre elas o caso Banco Master e a Operação Overclean, da Polícia Federal.
Os episódios têm origens e situações jurídicas diferentes e, até o momento, não representam condenação de ACM Neto. O ex-prefeito nega participação em irregularidades.
Além das investigações, registros públicos mostram negócios e contratos envolvendo integrantes da família de ACM Neto. A existência dessas relações comerciais, por si só, também não comprova irregularidade.
No caso Banco Master, o ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro, afirmou em uma proposta de colaboração premiada que ACM Neto e Antônio Rueda teriam participado da aproximação do banco com institutos de previdência e outros investidores.
Segundo a versão apresentada por Vorcaro, os dois teriam direito a uma remuneração de 10% sobre aproximadamente R$ 2 bilhões captados para o banco, o que poderia chegar a R$ 200 milhões.
O valor, porém, não corresponde a um pagamento comprovado.
A proposta de colaboração apresentada por Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. O documento também não estabelece quanto teria sido efetivamente pago a ACM Neto ou Rueda.
Dados fiscais divulgados pela imprensa mostram que o Banco Master declarou aproximadamente R$ 5,45 milhões em pagamentos à A&M Consultoria, empresa ligada a ACM Neto, entre 2023 e 2025.
ACM Neto reconheceu a prestação de serviços ao Banco Master e à Reag, mas negou irregularidades.
Segundo o ex-prefeito, os trabalhos foram realizados por meio de contratos formais, com emissão de notas fiscais, pagamento de impostos e efetiva prestação dos serviços.
ACM Neto também aparece em informações relacionadas à Operação Overclean, que investiga suspeitas envolvendo contratos públicos.
A Polícia Federal identificou 232 chamadas pelo WhatsApp entre ACM Neto e José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024.
A PF chegou a solicitar uma medida de busca relacionada ao ex-prefeito. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), não autorizou a diligência, ao considerar insuficientes os elementos apresentados para justificar a medida.
ACM Neto nega envolvimento nas irregularidades investigadas pela operação.
Uma das fases da Overclean apura suspeitas relacionadas a contratações da área de Educação de Belo Horizonte. Pelo menos três procedimentos analisados ultrapassam R$ 80 milhões.
Registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que Renata de Magalhães Correia, irmã de ACM Neto, aparece como coproprietária de uma aeronave junto com José Marcos de Moura.
No Registro Aeronáutico Brasileiro, Renata possui 33,33%, enquanto Moura aparece com 66,62%.
A copropriedade da aeronave, isoladamente, não comprova participação de Renata nas irregularidades investigadas contra o empresário.
Outra relação comercial envolve a Agência Bença Comunicação e Marketing, representada por Flávio Costa Maron, apontado em reportagens como primo de ACM Neto.
A empresa assinou, em março de 2025, contrato com a Secretaria Municipal de Comunicação de Salvador para prestação de serviços de comunicação digital.
O contrato possui valor global estimado de R$ 30,9 milhões, com vigência prevista de 12 meses, e foi resultado de concorrência pública.
A existência do contrato não representa, por si só, indício de irregularidade.
Durante a administração de ACM Neto na Prefeitura de Salvador, também houve repasses municipais ao Parque Social, entidade então presidida por sua mãe, Rosário Magalhães.
Em 2018, foi sancionada uma autorização para repasse de até R$ 6 milhões à entidade. A proposta provocou discussão na Câmara Municipal de Salvador na época.
Apesar de aparecerem relacionados ao mesmo núcleo político e familiar, os valores citados nos diferentes episódios não podem ser simplesmente somados.
Eles incluem uma alegação de possível remuneração que não foi comprovada, pagamentos declarados por serviços de consultoria, valores globais de contratos públicos e repasses a uma entidade.
Os casos também estão em situações diferentes. Parte das informações do caso Master veio de uma proposta de colaboração de Daniel Vorcaro que foi rejeitada, enquanto a Operação Overclean permanece sob investigação.
ACM Neto tem negado envolvimento em irregularidades nos casos em que seu nome foi mencionado.
Fonte: Polícia Federal / STF / Registro Aeronáutico Brasileiro / documentos públicos e reportagens consultadas pelo Sauípe Notícias